sábado, 26 de julho de 2014

Revista Reticências em Versos - 2014

Estamos publicando a Revista Virtual "Reticências em Versos - 2014", com os poemas selecionados no nosso II Sarau Virtual. Foi um trabalho grande, mas muito gratificante, pois a qualidade das poesias nos deixou muito satisfeitos... Gostaríamos de publicar mais poemas, mas o espaço não permite... Infelizmente tivemos que fazer escolhas, às vezes duras... Mas acreditamos que os poemas escolhidos representam bem a qualidade de todos os trabalhos inscritos... São 30 poemas de diversos autores que nos brindam com versos ricos e belos...

Mas o Sarau ainda não terminou... Leiam os poemas e participem da nossa enquete... Os 10 poemas mais votados serão transformados em vídeos declamações...

O prazo para votar nos poemas preferidos termina no dia 06 de agosto... Então não perca tempo... Vamos valorizar a poesia e a Arte!

Obrigado a todos os poetas que se inscreveram e parabéns a todos os poetas publicados...

terça-feira, 22 de julho de 2014

Um pequeno brinde em forma de devaneio...

UMA GOTA DE POESIA

“... Nunca morrer assim, nunca morrer num dia assim, de um sol assim...”

Por que iniciar um texto sobre estudos intersemióticos citando Olavo Bilac? Não sei. Talvez o autor das pretensiosas garatujas que estão por vir esteja se sentindo triste. Uma tristeza hiperbólica. Ao ver o céu azul pela janela do solitário cômodo em que escreve, deu-se conta da metafórica solidão em que vive, traduzindo-a na parnasiana vontade de morrer.

“... E assim a esfera, toda azul no esplendor do fim da primavera...”

Olavo Bilac insiste em visitar a mente do autor, talvez perturbada por lembranças das pessoas amadas que se foram, algumas levadas pela morte, outras carregadas pela própria vida... Morte e Vida Severina... Outros poetas pedem licença para visitar a mente do autor, brindando com Bilac sobre os escombros das memórias angustiadas que habitam o lugar.

Como é possível esses poetas, que agora habitam apenas o mundo etéreo da Arte, entrarem na mente de uma pessoa? Como é possível olhar o sol e compará-lo ao calor do amor perdido? Como é possível sentir a angústia da morte ainda em vida? Como são possíveis as relações simbólicas entre a esfera e o planeta, entre a alegria e o esplendor do fim da primavera? Como é possível haver uma festa, com direito a brinde, em um espaço apertado como a mente? E como um espaço tão apertado pode ser tão amplo?

Essas e outras questões, algumas de importância questionável, podem ser respondidas toda vez que refletimos sobre a grande aventura humana. Esse ser que se considera divino, algumas vezes destrutivo e arrogantemente divino, nasceu com um impulso único: representar simbolicamente a sua experiência de vida. Representar para si mesmo, com o intuito de compreender e controlar melhor essas experiências. Representar para o outro, a fim de compartilhar e, às vezes, usar essas experiências como instrumento de domínio sobre o outro. Esse impulso de representação simbólica acabou por ser a origem de todos os sistemas de comunicação entre os seres humanos. Os sistemas foram, no decorrer do tempo (aliás, muito tempo), evoluindo em todas as suas características, atingindo a complexa forma dos ícones linguísticos, ápice da capacidade de abstração que esse impulso de representação deu ao ser humano. Podemos conversar sobre nossas alegrias e tristezas, podemos fazer declarações de amor, podemos escrever poemas sobre o sol e a morte. Podemos até analisar esses poemas e utilizá-los, correta ou equivocadamente, em trabalhos acadêmicos. Tudo isso porque esses ícones compõem um sistema maravilhoso chamado Língua (a linguagem verbal estruturada). Essa linguagem verbal estruturada deu um impulso notável na evolução da humanidade, aproximando as pessoas, mas também trouxe uma série de problemas, como a ruptura bruta e catastrófica do homem com a Natureza. Mas isso são pedras no meio do caminho que não podem ser discutidas agora... Bem vindo à festa, Carlos Drummond de Andrade!

A linguagem verbal estruturada, apesar de toda a sua riqueza, não pode ser tomada como um sistema isolado. A representação simbólica do fenômeno da morte só é possível porque esse fenômeno chega às pessoas, seja através da experiência direta, seja através da analogia, seja através da tradição. Falar e escrever sobre a morte é o estágio de abstração mais avançado de representação dessa experiência. No entanto, ele só é possível porque existem outros estágios de abstração que não podem ser esquecidos. As relações imagéticas, sonoras, gestuais e tantas outras que fazem parte da experiência expressiva do homem não podem ser desprezadas. Caso contrário, essa linguagem verbal estruturada, tão rica, acaba por cair na pobreza da falta de conteúdo essencial, produzindo um discurso vazio, infelizmente muito comum na comunicação atual.

Conversar é muito bom! Escrever versos é fantástico! Porém, ninguém pode esquecer o calor do sol e a sensação de conforto que ele traz, aumentando a circulação sanguínea e a temperatura corporal. Ninguém pode esquecer o cheiro da primavera e o frenesi que ele carrega, causando arrepios de prazer. Ninguém pode esquecer a bola dos brinquedos da infância, que dá a noção da esfera e ajuda na compreensão da forma do planeta. Ninguém pode esquecer as experiências, as imagens criadas a partir delas, os sons e os gestos da Natureza. Só assim a experiência de todas as linguagens será rica e bela como deve ser.

“... Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure...”

Um brinde, Vinícius de Moraes.

Roman Lopes

Comunicado importante

Queremos dizer aos nossos amigos e, principalmente, aos poetas participantes que, infelizmente, por motivos de força maior, teremos que adiar por alguns dias a publicação da revista e a enquete...

Conforme já foi dito antes, o número de poesias superou em muito as nossas expectativas, o que nos deixa extremamente felizes... No entanto, a carga de trabalho acabou ficando muito maior do que prevíamos... A grande variedade e qualidade dos poemas exige de nós muito cuidado na escolha e, por isso, precisaremos de mais tempo...

As novas datas são as seguintes:

26/07 – Publicação da revista e abertura da enquete.

27/07 a 06/08 – Enquete

As demais datas permanecem as mesmas...

Estamos nos esforçando ao máximo para que o nosso trabalho possa representar a qualidade dos poemas enviados...

Pedimos desculpas por esse transtorno e pedimos também um pouco mais de paciência a todos...

Obrigado pela compreensão!

Trupe Reticências